segunda-feira, 15 de agosto de 2011

'José Lins do Rego'







 José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em 1901, no Estado da Paraíba, e morreu em 1957 na cidade do Rio de Janeiro.

Viveu a maior parte de sua vida em Recife, cidade onde se formou em Direito. A partir de 1936, passou a viver na cidade do Rio de Janeiro.

O dia a dia e os costumes tanto de Pernambuco quanto do Rio de Janeiro eram evidentes em suas obras literárias.

Ele deu início ao conhecido Ciclo da Cana-de-Açúcar com a obra: Menino de Engenho. Além deste livro, este notável escritor escreveu outros livros, como: Doidinho, Banguê, O Moleque Ricardo e Usina. Este último possui narrativa descritiva do meio de vida nos engenhos e nas plantações de cana-de-açúcar do Nordeste.

Em sua segunda fase, José Lins do Rego escreveu romances que tinham como tema a vida rural. Deste período, fazem parte as seguintes obras: Pureza, Pedra Bonita, Riacho Doce e Água Mãe.

No ano de 1943 publicou o livro Fogo Morto, considerado a sua obra-prima; posteriormente escreveu Eurídice, Cangaceiros, alguns ensaios, crônicas e outras obras.




Fogo Morto é uma obra-prima de José Lins do Rego, livro que mostra com linguagem forte e poética a decadência dos engenhos de cana-de-açúcar.
Publicado em 1943, Fogo Morto é a última obra do mais expressivo dos ciclos de José Lins do Rego: o da cana-de-açúcar. Apesar de marcar o término da série, com a decadência dos senhores de engenho, o romance também assinala seu auge, seu momento de superação, constituindo uma obra-prima da literatura regionalista, de caráter neo-realista.

 Esse é um dos paradidáticos do bimestre.
 Não deixem de comentar!!
  Hélio Costa


domingo, 14 de agosto de 2011

'Romance Policial'

Para vocês obras com o gênero 'Romance Policial'.



O Caso da Chácara Chão de Domingos Pellegrini.
Alfredo Manfredi, um escritor , decide fugir do estresse da cidade e refugia-se com a família numa chácara. Mas um assalto à propriedade transforma a vida do escritor e de sua família. 
Alfredo e sua mulher, Olga, são surpreendidos por dois homens armados que tentam roubá-los, no entanto, Alfredo consegue ferir um dos bandidos e impedir o assalto. Na delegacia, os dois invasores afirmam terem sido convidados por Olga – que seria amante de um deles –e acusam Alfredo de tentativa de homicídio. O escritor se vê envolvido em um crime passional, onde não sabe mais em quem confiar ou acreditar. 



Publicado em 2000, tem  ingredientes bem brasileiros como violência, drogas, corrupção policial, ornalismo sensacionalista, racismo, conformismo mas também amor, perdão e amizade. Traça painéis críticos da realidade brasileira e foi inspirado num episódio real, um assalto ao sítio do próprio autor.


Assassinato No Expresso Do Oriente  de Agatha Christie
Depois de resolver mais um caso, Hercule Poirot embarca no Expresso do Oriente, durante a viagem ocorre um assassinato e o comboio fica retido devido a uma tempestade de neve. Com exceção do presidente da companhia Wagons Lits, de um médico grego e do próprio Poirot, que formam uma equipa de investigação, todos os passageiros são suspeitos. Poirot descobre entretanto que a vítima era um assassino que estivera envolvido no sequestro e morte de uma criança que levou à morte, por desgosto, da mãe e ao suicídio do pai. 


Comentem sobre outros livros do gênero que vocês já leram. ;)
Thaís de Fátima



sábado, 13 de agosto de 2011

Olá, aqui é Priscila e eu vou postar algumas curiosidades sobre o escritor Osman Lins, as suas mais famosas obras e um pouco sobre ele.

Osman Lins obteve o grau de Doutor em Letras pela Faculdade de Filosofia e Letras de Marilia (1973), com a tese "Lima Barreto e o espaço romanesco", publicada em 1975. O mesmo foi professor titular de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Marilia (SP) até 1976, quando deixa o ensino universitário dedicando-se exclusivamente à atividade de escritor. Obras do autor: O visitante (1955) romance, Os Gestos (1957) contos, O Fiel e a Pedra (1961) romance, Marinheiro de Primeira Viagem (1963) notas de viagem, Lisbela e o Prisioneiro (1964) teatro infantil, Guerra do "Cansa-Cavalo" (1967) teatro, Guerra sem Testemunhas: o escritor, sua condição e a realidade social (1969) ensaio, Avalovara (1973) romance, Santa, Automóvel e Soldado (1975) teatro, Lima Barreto e o Espaço Romanesco (1976) ensaio e A Rainha dos Cárceres da Grécia (1976), romance.

Como pode-se ver, a maioria de suas obras foram publicadas depois de um certo tempo e tem alguns romances. O que vocês acharam dessas obras? Leram alguma?
Beijos e comentem! =)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A Ilha No Espaço

Oi pessoal, trago hoje aqui um pequeno resumo sobre o livro " A Ilha No Espaço" de Osmar Lins, na qual estamos trabalhando em sala de aula. Trago este resumo do livro para incentivar ainda quem não o leu e ficar curioso sobre a história. Depois comentem sobre o que acharam da história, e se gostaram do livro. Façam uma boa leitura!
Maria Luiza Onofre

A ilha no espaço. Osman Lins

Em "A ilha no espaço", Osman Lins nos traz uma trama de crime, suspense e mistério, numa história bem brasileira, intrigante e atual. Descrevendo, num texto vibrante e conciso, o drama dos condôminos de um edifício, onde misteriosamente muitos moradores aparecem mortos.

Osman Lins nos apresenta uma novela moderna de suspense e mistério, que pode estar acontecendo no prédio ao lado do nosso, no bairro vizinho, em algum lugar da nossa cidade. “A ilha no espaço”, embora o nome do livro possa dar impressão equivocada do gênero literário, retrata a vida de personagens comuns e seus problemas do cotidiano. Envolvendo o medo, a insegurança, a inversão de valores e, principalmente, a solidão, as situações são descritas com apurado senso crítico, sem entediar o leitor.

Destaque para a maneira como é descrita a solidão a que é submetida a personagem principal, seus dilemas pessoais e um final surpreendente, num texto que flui naturalmente, prendendo o leitor até o fim. "A ilha no espaço" é um livro pequeno, de poucas páginas, cuja história tem um valor imenso.

Um livro para se ler "num só fôlego". “A ilha no espaço”, apesar do nome, não é uma novela de ficção científica, e sim um nome metafórico.





quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Vitral - Osman Lins

     Oi gente, aqui vai mais um conto de Osman Lins para vocês conhecerem um pouco mais as obras do autor. Espero que gostem e comentem o que acharam!
Danielle Siqueira.

O Vitral

Desde muito, ela sabia que o aniversário, este ano, seria num domingo. Mas só quando faltavam quatro ou seis semanas, começara a ver na coincidência uma promessa de alegrias incomuns e convidara o esposo a tirarem um retrato. Acreditava que este haveria de apreender seu júbilo, do mesmo modo que o da Primeira Comunhão retivera para sempre os cânticos.
- Ora... Temos tantos... - respondera o homem. - Se tivéssemos filhos... Aí, bem. Mas nós dois! Para que retratos? Dois velhos!
A mão esquerda, erguida, com o indicador e o médio afastados, parecia fazer da solidão uma coisa tangível - e ela se reconhecera com tristeza no dedo menor, mais fino e recurvo. Prendera grampos aos cabelos negros, lisos, partidos ao meio, e levantara-se.
- Está bem. Você não quer... (A voz nasalada, contida, era um velho sinal de desgosto).
- Suas tolices, Matilde... Quando é isso?
Como se a idéia a envergonhasse, ela inclinara a cabeça:
- Em setembro - dissera. - No dia vinte e quatro. Cai num domingo e eu...
- Ah! Uma comemoração - interrompera o esposo. - Vinte anos de casamento... Um retrato ameno e primaveril. Como nós.
Na véspera do aniversário, ao deitar-se, ela ainda lembrara essas palavras, purificara-se da ironia e as repetira em segredo, sentindo-se reconduzida ao estado de espírito que lhe advinha na infância, em noites semelhantes: um oscilar entre a espera de alegrias e o receio de não as obter.
Agora, ali estava o domingo, claro e tépido, com réstias de sol no mosaico, no leito, nas paredes, mas não com as alegrias sonhadas, sem o que tudo o mais se tornava inexpressivo.
- Se você não quiser, eu não faço questão do retrato - disse ela. Foi tolice.
- O fotógrafo já deve estar esperando. Por que não muda o penteado? Ainda há tempo.
- Não. Vou assim mesmo.
Abriu a porta, saíram. Flutuavam raras nuvens brancas; as folhas das aglaias tinham um brilho fosco. Ela deu o braço ao marido e sentiu, com espanto, uma anunciação de alegrias no ar, como se algo em seu íntimo aguardasse aquele gesto.
Seguiram. Soprou um vento brusco, uma janela se abriu, o sol flamejou nos vidros. Uma voz forte de mulher principiou a cantar, extinguiu-se, a música de um acordeão despontou indecisa, cresceu. E quando o sino da Matriz começou a vibrar, com uma paz inabalável e sóbria, ela verificou exultante que o retrato não ficaria vazio: a insubstancial riqueza daqueles minutos o animaria para sempre.
- Manhã linda! - murmurou. - Hoje eu queria ser menina.
- Você é.
A afirmativa podia ser uma censura, mas foi como um descobrimento que Matilde a aceitou. Seu coração bateu forte, ela sentiu-se capaz de rir muito, de extensas caminhadas, e lamentou que o marido, circunspecto, mudo, estivesse alheio à sua exultação. Guardaria, assim, através dos anos, uma alegria solitária, da qual Antônio para sempre estaria ausente.
Mas quem poderia assegurar, refletiu, que ele era, não um participante de seu júbilo, mas a causa mesma de tudo o que naquele instante sentia; e que sem ele o mundo e suas belezas não teriam sentido?
Estas perguntas tinham o peso de afirmativas e ela exclamou que se sentia feliz.
- Aproveite - aconselhou ele. - Isso passa.
- Passa. Mas qualquer coisa disto ficará no retrato. Eu sei.
As duas sombras, juntas, resvalavam no muro e na calçada, sobre a qual ressoavam seus passos.
- Não é possível guardar a mínima alegria - disse ele. - Em coisa alguma. Nenhum vitral retém a claridade.
Cinco meninas apareceram na esquina, os vestidos de cambraia parecendo-lhes comunicar sua leveza, ruidosas, perseguindo-se, entregues à infância e ao domingo que fluíam com força através delas. Atravessaram a rua, abriram um portão, desapareceram.
Ela apertou o braço do marido e sorriu, a sentir que um júbilo quase angustioso jorrava de seu íntimo. Compreendera que tudo aquilo era inapreensível: enganara-se ou subestimara o instante ao julgar que poderia guardá-lo. "Que este momento me possua, me ilumine e desapareça” - pensava. – “Eu o vivi. Eu o estou vivendo".
Sentia que a luz do sol a trespassava, como a um vitral.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Biografia - Osman Lins

Nascido no dia 5 de julho de 1924, na cidade de Vitória de Santo Antão, sua infância foi no Pátio da matriz e no Engenho Tomé, cursou o primário no Ateneu Santo Antão e o Ginasial no Ginásio da Vitória, atual Colégio Municipal 3 de Agosto, teve como Professor José Aragão Bezerra Cavalcanti, aos 17 anos foi estudar na Cidade do Recife publicou seu primeiro romance, O Visitante:

                                        
                         Isadora Cristina.

A partida - Osman Lins

 
    Ola gente, eu peço desculpas por não ter postado ontem, foi porque aconteceram alguns probleminhas. Mas eu estou aqui hoje para fazer a postagem de ontem.
 
    Hoje eu trouxe um conto de Osman Lins, espero que gostem.

 xoxo, Rafaela Maciel.






A partida

Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava-me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

Ela vivia a comprar-me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar-me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.
Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar-me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável ela fizesse isso, pois costumava fitar-me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama.

Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava-me por começar a entender que não conseguiria afastar-me delas sem emoção.

Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique-taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

Por fim, ela veio ao meu quarto, curvou-se:

— Acordado?

Apanhou o lençol e ia cobrir-me (gostava disto, ainda hoje o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela saísse, dei-lhe as costas.
Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos, opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir-me, persistente, desagradável — imagens de febre.

Sentei-me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava-se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo. A tosse passou, emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei-me.

Passava de meia-noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava-se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? — perguntava eu. Cobrir-me ainda? Repetir-me conselhos? Ouvi-a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver — pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia-me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto.

Afinal, ela beijou-me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

Acordei pela madrugada. A princípio com tranqüilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

Com receio de fazer barulho, dirigi-me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei-me e, voltando ao meu quarto, vesti-me. Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras... Que me custava acordá-la, dizer-lhe adeus?

Ela estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei-lhe no ombro, ela se moveu, descobriu-se. Quis levantar-se e eu procurei detê-la. Não era preciso, eu tomaria um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou-se. Ralhava comigo por não tê-la despertado antes, acusava-se de ter dormido muito. Tentava sorrir.

Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar-me, prender-se a mim, e à simples idéia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

Enfim, beijei sua mão, bati-lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei-me, apanhei a maleta e, ao fazê-lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários.